quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
DI-álogo aleatório (reeditado)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Parábola sobre o Natal

Estava com uma fila de textos, mas tive que remanejar este porque o assunto – O Natal – chegou repentinamente, como a abobrinha que eu deixei na geladeira certa vez; deixei para prepará-lo amanhã e amanhã e amanhã e amanhã... de repente e
le já estava estragado.Só senti o peso do tempo quando já tinha passado boa parte dele.A analogia não funcionou muito bem, mas eu queria falar do caso da abobrinha em algum post. Só o Hugo digita o que todos acham desnecessário e ignora o que todos acham vital.
As mensagens de Natal automáticas, as que você recebe no Orkut, as propagandas do buscapé, os banners das páginas da internet e até a página do Google são auto-suficientes.As mensagens de Natal vindas de um blog ainda mais de mim, acho que não teriam muito peso.Mas como toda a sociedade fica meio cega ao bom senso nesse período e preferem falar só do Natal, deixarei uma parábola, para a data não passar em branco.
"Era véspera de Natal.Toda a vizinhança comemorava feliz a data.As famílias se reunião e celebravam alegremente, com pratos deliciosamente preparados.Todos estavam felizes, cantavam, conversavam alegremente.
Um jovem, em uma casa, sozinho, com um ar rabugento, permanecia em sua casa, apenas ouvindo e observando os vizinhos em tons de vozes felizes e tão coloridos quanto as suas casas adornadas.Reclamava do barulho dos risos e gargalhadas altas.
-Mas que saco essa gentinha inconveniente! Que saco! Para que tanta alegria?
Resolveu dormir.
Alguns minutos a seguir, depois de ter pegado no sono, ouviu um estrondo estranho.Vinha do quintal de sua casa, para onde se dirigiu.E uma voz...
-Cof! Cof! Que sujeira....
-NOSSA! Eu não acredito! - exclamou o jovem, apontando com surpresa para aquele ser gordo, carregando um saco vermelho.Era o Coelho da Páscoa.
-Sim, sou eu.Dá pra calar a boca e me ajudar a levantar?!
-Claro, claro, eu.. eu... mas... mas... não era pra ser o cara da barba branca e roupa vermelha?
-É, era pra ser o Papito Noel, mas é que ele está meio enrolado com os trâmites de um processo no Tribunal Internacional por invadir espaço aéreo venezuelano sin autorización.
-Então... mas por que na minha churrasqueira? Não conhece a porta?
-Sigo o protocolo daquele velho caduco.Ele quer que eu entre em todas as casas dos países judaico-cristão-ocidentais do hemisfério sul, que não tenham chaminés, pela churrasqueira.Ele já está ficando muito obsessivo com esse lance de tradição... dá pra me ajudar aqui?
-Mas os judeus não comemoram o Natal.
-Droga.Levei tiro à toa quando me confundiram com um míssil lá em Israel.
O jovem o ajudou a levantar, estendendo o braço.
-Mas o que trazes para mim?
-Bom, eu vim aqui para te mostrar o seu Natal passado e futuro.
-Corta essa, Orelhudo.
-Vamos logo, segura na minha pata que vou te levar para o passado – o peludo estendeu-lhe a pata.
-Que coisa mais Teletubbies.
(Várias coisas brilhantes saíram seguido de uma névoa branca que, não fosse delírio doentio desse jovem, seria gelo seco ou princípio de incêndio).
De repente estavam na sala de sua antiga casa.Viu a ele mesmo com seus seis anos correndo até um pequeno pinheirinho natural ricamente adornado (e não essas coisas de plástico verde musgo chinesas, contrabandeadas, que os humanos teimam em chamar de árvore).A sua família já estava na sala, reunida.
-Viu? – disse o coelho – você era feliz nessa época.Acordava na época de Natal alegremente, abraçava os seus pais e...
-Legal, legal.Notei isso.
-E, hoje, você não dá nem Bom-dia para eles, nem para suas irmãs.Não era tão leviano e nem tão viciado em café.Vamos para o futuro.
(Várias coisas brilhantes saíram seguido de uma névoa que se não fosse delírio desse jovem, seria gelo seco, ou princípio de incêndio).
Chegaram ao Natal do futuro.
-Agora você está aí, aos 35 anos, morando com a mãe e ainda com suas ambições faraônicas de ganhar a vida com banners de um blog sem coesão, nem coerência no qual você fala de assuntos, se é que podemos chamar isso de assunto, aleatórios; espero sinceramente que você não relate minha visita nele.
-Não entendi o porquê disso tudo.Seja mais direto.
-Você é mesmo apático, não é mesmo?
-Não me leve a mal, ô coelho, é que eu não tenho formação cristã, essas tradições não me foram ensinadas e...
-Ui, ui, “não me foram ensinadas”.Ui!Ui!Sou o japonês gramaticalmente correto, ui, ui!
-Você é meio sarcástico né? Como eu ia dizendo, nunca acreditei em nenhum ser fantasioso, como um coelho irônico falante.De mais a mais eu tenho muitos livros para ler para a faculdade.
-Livros?!Mas você faz D.I.! Está bem.Vamos ao presente, então deixarei você em paz.
(Várias coisas brilhantes saíram seguido de uma névoa que se não fosse delírio desse jovem, seria gelo seco, ou princípio de incêndio).
-Está vendo agora?Você escrevendo no blog? A sua família foi chamada para comemorar a ceia de Natal na casa do tio-avô e você não quer ir.Viu?O problema é com você.O Natal é uma comemoração feliz!É uma comemoração coletiva que transmite paz e harmonia!
-Sou avesso a encontros com familiares cujos nomes nipo-complicados e a posição na árvore genealógica não tenho a menor idéia.
-Você é uma pessoa complicada.E aquela balada? Seu amigo te chamou e você não vai?!Vai bombar de gente lá, vai ter muita música eletrônica, vai ser open bar de cerveja, muita mulher bonita.
-Você não é um coelho muito moral, não é?
-Você precisa se enturmar, encontrar com as pessoas, rever seus colegas do ensino médio, dançar, agitar, conversar!
-É, estou ligado disso.
-Então, cara! – exclamou o enorme mamífero pascoal, remexendo seus bigodinhos.
-Ah... eu não tenho ritmo para agitações, apesar de ter sentido ultimamente necessidades sociais.
-Então! Sai um pouco!Vai para a balada, 15 reais, open bar de cerveja! Carona você já tem! Só decidir! E aquela menina linda com a qual você trocou idéia vai!
-Ah, não... Eu gosto de ficar em casa reclamando sobre a voz alta dos vizinhos e esperando que algum dos fogos de artifício se tornem incêndio.
-Hugo sempre apático...
O coelho começou a ficar transparente, como aqueles efeitos das Jornadas nas Estrelas ou do Photoshop.
-Pra onde você está indo?!
-O efeito alucinógeno daquela abobrinha podre que você ingeriu está acabando.Você está voltando ao normal.Adeus, Hugo!
Conclusão: nunca confie em animais falantes nas parábolas, mesmo que eles incentivem a um ambiente social saudável"