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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

DI-álogo aleatório (reeditado)

Sempre tem uma uma daquelas postagens dizendo, "Gente, até que enfim, depois de muito tempo sem postar..." ou frases de mesmo sentido, similares ou não, genéricos ou não, piratas ou não, seguido do motivo pelo qual o egocêntrico e preguiçoso blogueiro parou de blogar.Ele utiliza "Gente", mesmo que seu blog seja frequentado por 2 a 3 pessoas conhecidas às quais se poderia referir pelos seus respectivos nomes e não pelo "Gente", mas enfim, dá impressão de volume (falando nisso, em dar impressão de volume, se eu usasse o branco listrado, quantos quilogramas "ganharia"? Quero dizer, sempre fui meio relaxado pra vestir, sou muito magro; se eu usasse uma camiseta branca e listras horizontais, quanto eu pareceria menos magro? Qual a relação entre número de listras e quilogramas a mais? Não, não respondam.Não quero saber.E a digressão ficou muito grande).É quase um clichê bloguístico.Nunca escreverei uma coisa dessas.

Gente, até que enfim, depois de muito tempo se portar, diante de mensagens de incentivo caloroso e a volta da positiva perspectiva na causa do fantástico e lucrativo mundo dos banners e pop-ups para blogs, voltei a postar.Infelizmente, este não é a postagem original.Tenho uma postagem feita, para o ano novo de 2009, mas está travando.Tudo trava.Os xingamentos ao computador, os murros, socos e o vasto vocabulário de palavrões com ou sem hífen, com ou sem acento - ai, ai... essas piadinhas de nova ortografia já encheu o saco - não foram suficiente para fazer o .doc rodar.Tive que escrever um novo, só para não decepcionar os milhões de leitores que ainda estão por vir.É, fui otimista demais.

O que me leva a voltar a escrever é a minha consciência - leia-se: personificação de um coelho alegórico falante.
Ao contrário das fantasias de criança, meu coelho alegórico falante, não é simpático, tem problemas morais, uma protuberante barriga de chope, tem problemas com o chope em si e tem problemas de âmbito filosófico e existencial (afinal, ele é fruto de uma sequela patológica resultante de um alimento estragado - vide post anterior). Pensando bem, eu poderia imaginar um homem barrigudo, com a barba por fazer e uma protuberante barriga de chope, antipático e com problemas com o chope, mas perderia a magia de se possuir um animal de fato falante.Não, esqueçam.Não vou alterar a ilustração que eu tinha a respeito do leporídeo.De mais a mais, não seria mais uma personificação, mas um alcólatra vestido de coelho.Imaginem o coelho da mesma forma que vocês entenderam da primeira vez - se é que vocês não imaginaram um alcólatra vestido de coelho -, digo um coelho mais ou menos da minha altura (1m70 e poucos) e, notem bem, ele não está gordo.Ele é gordo (uma das coisas de que mais gosto no português e do espanhol é a distinção entre o verbo "ser" e o verbo "estar".Nunca achei em outra língua, mas acho que a pedago-letreira, interiorana, impulsiva e dramática, minha melhor (ou pior) companhia, poderia explicar, figurar, exemplificar melhor isso; sou designer - e o problema de digressões grandes é que você nunca se lembra do que você estava falando antes, sendo melhor terminar o parágrafo.

Estava eu, alegre, bobo, feliz e saltitante, indo para a cozinha, à procura de algo para fazer - ou para ingerir - que não fosse nem refletir sobre a vida, nem preparar o tal do frango ao molho rosé com fragmentos flutuantes que, julga-se, serem legumes comestíveis, até que ouço um irritante ruído muito semelhante ao efeito sonoro de padrinhos mágicos, fadas madrinhas, Sininho do Peter Pan, purpurina (não querendo ser sinestésico) ou da Sara e da Lara do castelo Rá-Tim-Bum.Olho para o lado esquerdo e vejo flutuando o tal do coelho alegórico falante com a protuberante barriga de chopp.Sim, ele flutua.

-Ei, Hugo, já fazem duas semanas que você não posta lá no seu blog! Posta lá, cara
-É, JÁ FAZ duas semanas que não posto lá.
-Então, atualiza, (palavrão)!E não ligo para concordâncias.
-Estou sem inspiração, sem vontade também.Você não quer escrever por mim?
-Corta essa, Seu preguiçoso... Eu já tenho um blog lá no wordpress.Tenho 50 visitantes por dia e me rende uns trocados com os banners e pop-ups do submarino e da saraiva...Enfim, acho que você deveria se focar em um assunto, quero dizer, tudo mundo já se encheu com esse barato de "Ah, sou um idiota blogueiro preguiçoso que não sabe sobre o que escrever"; é melhor um texto que não seja tão sobre ele mesmo... tão metalingüístico.E acho que se você fosse transcrever esta fala no blog, você escrevería "metalingüístico" com trema.
Aparece alguém na cozinha:
-Filho, está falando sozinho?
-Na.. Não, mãe eu só estou pensando alto...
Sua mãe, que passava por lá, disse: 
-Ah! Hugo, você está muito velho para ter um amigo imaginário.É o coelho da páscoa com a protuberante barriga de chopp com problemas morais que aparece depois dos efeitos sonoros?? Vamos para o psicólogo ainda hoje.
-Tá, mãe.
Assim que ela saiu, retomaram a conversa:
-Falo de música?
-É, de música, não vai dar certo.Você faz uma mistura muito grande com seus mp3.Você também nunca foi muito fã de banda nenhuma.Quais foram as músicas que você tem ouvido ultimamente? As do Gotan Project, as de baladinhas e os "nü metal".É muito aleatório.Por que não fala da aula prática de direção?
-O quê? Falar que eu tentei fazer baliza e um oito? 
-Aguarde qualquer filme teen, e você terá um tema interessante para a página.Ou um absurdo que você ler em um lugar qualquer.
-É... a inspiração não aparece quando eu quero... Falando nisso, sobre o que você escreve no seu blog?
-Ah, escrevo sobre um humano nipônico chato, fruto da minha mente doentida, depois de ter ingerido um ovo de páscoa fora da data de validade, que casualmente aparece quando não sei sobre o que escrever.
-Ahhh...


NOTA 1: Peço que se eu tenha cometido algum imperdoável erro gramatical, ortográfico (pela nova/velha ortografia), de coesão (e nem tanto de coerência), comentem. 

NOTA 2: Estou pensando em fazer uma versão mp3 de algum texto postado ou a ser postado.Mas só cogito.Poderia estar entre minhas listas de promessas de ano novo se eu tivesse uma - sou esperto o bastante para não escrever metas e não me sentir frustrado no ano seguinte.Ou preguiçoso o bastante).Não estou pensando mais.

NOTA 3: A história continua até eu recuperar os arquivos.Se eu continuar.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Parábola sobre o Natal

Estava com uma fila de textos, mas tive que remanejar este porque o assunto – O Natal – chegou repentinamente, como a abobrinha que eu deixei na geladeira certa vez; deixei para prepará-lo amanhã e amanhã e amanhã e amanhã... de repente e

le já estava estragado.Só senti o peso do tempo quando já tinha passado boa parte dele.A analogia não funcionou muito bem, mas eu queria falar do caso da abobrinha em algum post. Só o Hugo digita o que todos acham desnecessário e ignora o que todos acham vital.
 As mensagens de Natal automáticas, as que você recebe no Orkut, as propagandas do buscapé, os banners das páginas da internet e até a página do Google são auto-suficientes.As mensagens de Natal vindas de um blog ainda mais de mim, acho que não teriam muito peso.Mas como toda a sociedade fica meio cega ao bom senso nesse período e preferem falar só do Natal, deixarei uma parábola, para a data não passar em branco.
 
"Era véspera de Natal.Toda a vizinhança comemorava feliz a data.As famílias se reunião e celebravam alegremente, com pratos deliciosamente preparados.Todos estavam felizes, cantavam, conversavam alegremente.
Um jovem, em uma casa, sozinho, com um ar rabugento, permanecia em sua casa, apenas ouvindo e observando os vizinhos em tons de vozes felizes e tão coloridos quanto as suas casas adornadas.Reclamava do barulho dos risos e gargalhadas altas.
-Mas que saco essa gentinha inconveniente! Que saco! Para que tanta alegria?
Resolveu dormir.
Alguns minutos a seguir, depois de ter pegado no sono, ouviu um estrondo estranho.Vinha do quintal de sua casa, para onde se dirigiu.E uma voz...
-Cof! Cof! Que sujeira....
-NOSSA! Eu não acredito! - exclamou o jovem, apontando com surpresa para aquele ser gordo, carregando um saco vermelho.Era o Coelho da Páscoa.
-Sim, sou eu.Dá pra calar a boca e me ajudar a levantar?!
-Claro, claro, eu.. eu... mas... mas... não era pra ser o cara da barba branca e roupa vermelha?
-É, era pra ser o Papito Noel, mas é que ele está meio enrolado com os trâmites de um processo no Tribunal Internacional por invadir espaço aéreo venezuelano sin autorización.
-Então... mas por que na minha churrasqueira? Não conhece a porta?
-Sigo o protocolo daquele velho caduco.Ele quer que eu entre em todas as casas dos países judaico-cristão-ocidentais do hemisfério sul, que não tenham chaminés, pela churrasqueira.Ele já está ficando muito obsessivo com esse lance de tradição... dá pra me ajudar aqui?
-Mas os judeus não comemoram o Natal.
-Droga.Levei tiro à toa quando me confundiram com um míssil lá em Israel.
O jovem o ajudou a levantar, estendendo o braço.
-Mas o que trazes para mim?
-Bom, eu vim aqui para te mostrar o seu Natal passado e futuro.
-Corta essa, Orelhudo.
-Vamos logo, segura na minha pata que vou te levar para o passado – o peludo estendeu-lhe a pata.
-Que coisa mais Teletubbies.
(Várias coisas brilhantes saíram seguido de uma névoa branca que, não fosse delírio doentio desse jovem, seria gelo seco ou princípio de incêndio).
De repente estavam na sala de sua antiga casa.Viu a ele mesmo com seus seis anos correndo até um pequeno pinheirinho natural ricamente adornado (e não essas coisas de plástico verde musgo chinesas, contrabandeadas, que os humanos teimam em chamar de árvore).A sua família já estava na sala, reunida.
-Viu? – disse o coelho – você era feliz nessa época.Acordava na época de Natal alegremente, abraçava os seus pais e...
-Legal, legal.Notei isso.
-E, hoje, você não dá nem Bom-dia para eles, nem para suas irmãs.Não era tão leviano e nem tão viciado em café.Vamos para o futuro.
(Várias coisas brilhantes saíram seguido de uma névoa que se não fosse delírio desse jovem, seria gelo seco, ou princípio de incêndio).
Chegaram ao Natal do futuro.
-Agora você está aí, aos 35 anos, morando com a mãe e ainda com suas ambições faraônicas de ganhar a vida com banners de um blog sem coesão, nem coerência no qual você fala de assuntos, se é que podemos chamar isso de assunto, aleatórios; espero sinceramente que você não relate minha visita nele.
-Não entendi o porquê disso tudo.Seja mais direto.
-Você é mesmo apático, não é mesmo?
-Não me leve a mal, ô coelho, é que eu não tenho formação cristã, essas tradições não me foram ensinadas e...
-Ui, ui, “não me foram ensinadas”.Ui!Ui!Sou o japonês gramaticalmente correto, ui, ui!
-Você é meio sarcástico né? Como eu ia dizendo, nunca acreditei em nenhum ser fantasioso, como um coelho irônico falante.De mais a mais eu tenho muitos livros para ler para a faculdade.
-Livros?!Mas você faz D.I.! Está bem.Vamos ao presente, então deixarei você em paz.
(Várias coisas brilhantes saíram seguido de uma névoa que se não fosse delírio desse jovem, seria gelo seco, ou princípio de incêndio).
-Está vendo agora?Você escrevendo no blog? A sua família foi chamada para comemorar a ceia de Natal na casa do tio-avô e você não quer ir.Viu?O problema é com você.O Natal é uma comemoração feliz!É uma comemoração coletiva que transmite paz e harmonia!
-Sou avesso a encontros com familiares cujos nomes nipo-complicados e a posição na árvore genealógica não tenho a menor idéia.
-Você é uma pessoa complicada.E aquela balada? Seu amigo te chamou e você não vai?!Vai bombar de gente lá, vai ter muita música eletrônica, vai ser open bar de cerveja, muita mulher bonita.
-Você não é um coelho muito moral, não é?
-Você precisa se enturmar, encontrar com as pessoas, rever seus colegas do ensino médio, dançar, agitar, conversar!
-É, estou ligado disso.
-Então, cara! – exclamou o enorme mamífero pascoal, remexendo seus bigodinhos.
-Ah... eu não tenho ritmo para agitações, apesar de ter sentido ultimamente necessidades sociais.
-Então! Sai um pouco!Vai para a balada, 15 reais, open bar de cerveja! Carona você já tem! Só decidir! E aquela menina linda com a qual você trocou idéia vai!
-Ah, não... Eu gosto de ficar em casa reclamando sobre a voz alta dos vizinhos e esperando que algum dos fogos de artifício se tornem incêndio.
-Hugo sempre apático...
O coelho começou a ficar transparente, como aqueles efeitos das Jornadas nas Estrelas ou do Photoshop.
-Pra onde você está indo?!
-O efeito alucinógeno daquela abobrinha podre que você ingeriu está acabando.Você está voltando ao normal.Adeus, Hugo!
 


Conclusão: nunca confie em animais falantes nas parábolas, mesmo que eles incentivem a um ambiente social saudável"